segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Devagar também é pressa!



Ei amigo!

Para que a pressa? Há algo que te impeça? Que tal um café? Mas por que em pé? Estás sem tempo? Deixar-me-ás ao relento? Incomodas-te com o meu atrevimento? Trouxestes aborrecimento? Por que tanto afobamento? És refém do relógio? Por ele manténs ódio? A pressão te consome? Dizes-me o teu nome? Consegues esquecer o telefone? Precisas de um clone? Pretendes parar? Podes escutar a música tocar? Importas-te se o garçom eu chamar? É uma boa hora para devanear? Posso me apresentar? Ou talvez, te cumprimentar? Tens problemas em relaxar? Achas que o mundo não pode esperar? Já pensastes em mudar? Ou se reinventar? Ou a barraca chutar? Ou da prisão se libertar? Então, o que queres tomar? Podemos conversar? Pensas em se aposentar? Irás se permitir? Cogitastes desistir? Se redescobrir? O que fazes aqui? Nascestes para se deprimir? Não pensas em ti? Não queres discutir? É difícil sorrir? Alguém te espera? O que sentes, à vera? Encontras-te confuso? Notastes a ausência de algum parafuso? O seu pensamento é muito difuso? Eu pareço um intruso? Caístes em desuso? Cansastes-te de abuso? Possuis algum valor? Ages sem pudor? Também estás sentindo calor? Dois sucos, por favor? E aí, diminuirás a labuta? Por que a vida é curta? Achas-na realmente curta? Encararás a luta? E se doentes ficar? Quem irá te amparar? Haverá tempo para sonhar? Quem sabe um dia se poupar? Queres ir ao mar navegar? Isso realmente te fazes vibrar?  A felicidade é o que importa? Se já não está morta? Terás tempo para descobrir? Decidistes que caminho seguir? Desculpe, conheces aquela senhora? Ela não te pareces alguém de outrora? Se te desculpo pela demora? Ué, já vais embora? Estás preocupado com a hora? Sua bebida, jogarás fora? O que farás agora? Posso te aconselhar? Sabes o que é amar? Receias em se machucar? Assustas-te o recomeçar? No fim, vais comemorar? Tudo vai passar? Algo há de ficar? A morte vai te aterrorizar? E o falecer? É uma oportunidade de crescer? Identificas o violino? Crês em seu destino? Para Terra, hás de voltar? Adiantará se lamentar? Acreditas que o tempo irá rebobinar? Ele vai parar? Desfazer-te-ás da pressa? Estás perdendo tempo à beça? Vamos por aqui parar? Prometes-me que pretendes pensar? Terás cuidado ao atravessar? Gostastes de me falar? Cuide-se, e andes devagar! 


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Perdi-me do nome.



Ela enfeitiçou-me. Eram exatamente oito da manhã. Acordara pouco antes disso. Após me preparar-me para mais um dia de afazeres e atribuições,deixei minha residência. Em poucos minutos, ao deparar-me com ela, pude sentir uma confusão positiva de estímulos dentro de mim: uma explosão conjugada de todos os tipos de sentimentos. Meus pensamentos de uma vida inteira foram, gradativamente, passando pelas lentes escuras dos meus óculos e, por conseguinte, fui lentamente me rendendo e me entregando a essa maravilhosa descoberta matinal. Ela era mística e diferenciada. Ela misturava todos os tons em um só. As várias notas combinadas combinavam com sua composição. Magníficas curvas, lindo remelexo, imponente e bela: ela era totalmente sensacional. Não podia tocá-la, porém pude senti-la perto de mim. Esqueci-me completamente do meu propósito naqueles segundos. Meu cansaço e minha tristeza evaporaram do meu corpo sem que eu expelisse uma gota de suor. A magia do seu balanço fez-me enxergar a falta de valor que muitas pessoas deixam de dar não só a ela, mas também a todas as outras como ela. Seu olhar firme, às vezes provocante, embalaria facilmente qualquer alma clamante por felicidade. O seu poder de sedução era tão transcendental que elevei-me a uma estratosfera distinta da atmosfera. Não sentia a gravidade. Meu corpo vibrava e se deixava levar pelos seus gestos e compassos. Pude nitidamente perceber o quão real era tal situação no momento em que ela arrancou o seu carro e buzinou para mim.

No decorrer do dia, tudo o que fazia me remetia a ela. Eu só pensava nela. Por um segundo, indaguei-me como pude ter sido tão tolo e não tê-la perguntado o seu nome; por não ter tido nenhum tipo de ação ou reação para me comunicar com ela, embora esta, por si só, ter dito muita coisa... Eu só a ouvi e apreciei. Gostaria de encontrá-la novamente, em algum semáforo, com seus vidros abertos para refazer-me feliz, como sempre fico e como sempre ficarei quando deparar-me com alguma similar a ela. Definitivamente, ela tinha o poder de mover montanhas, de despertar instintos, de manipulação, de sedução, de depressão, de tristeza, de alegria, de fantasia, de sonho, de viagem, de liberdade, de movimento, de poesia, de melodia, de prazer, de pausa, de corte, de construção, de badalação, de criação, de evolução, de transformação, de revolução, de respeito, de abuso, de repúdio, de protesto, de lamento, de sorriso, de nuvens, de céu, de sol, de breu, de morte e de vida, além de inúmeros outros. Apesar de mesclar tudo e mais um pouco, contraditoriamente, ela tinha o simples e complexo poder de mudar o mundo. Ela era a música mais linda que já escutara em toda a minha vida!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

REA L ente


Céu azul
Crianças a brincar 
Contra o vento lá do sul
E a incerteza do luar
A escuridão do dia
Se reflete em nostalgia
Em um universo paralelo
De um mendigo sem castelo
Marejar a natureza
Não é o fim, tens a certeza
Embora espere a riqueza
Com fome morre de tristeza
Solitário se entrevista
Rouba o medo sem conquista
Moralismo exacerbado
Em coração desvertebrado
Comunidade descrente
De gente contente
Nem as ondas do mar
Fazem o povo acreditar
Inteligências perdidas
Entre vias e matas
Cicatrizam as feridas
Dos colares de latas

Tiroteios de vida
Trazem luz ao alertar
Uma gente já vendida
Que não sabe o que é sonhar
Em quem confiar
No que pensar
Se nem sei meu lugar
Que Futuro esperar?
Viver pra morrer
Ou Morrer pra viver
Pagar para ver
Ou ver e não crer
Ouvir e sentir
Ou sentir e pedir
Gritar sem mentir
Me ajude, estou aqui!

Fé na mudança
Ela é uma criança
Que não entra na dança
E transborda esperança
Cheiremos o pó
Fumemos o nó
Vamos sair da Pior
E construir um mundo melhor.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Um dia, encontrar-me-ei por aí..


Estou aqui sozinho
Sem rumo, sem cor
Amargurado e desiludido
Apreciando minha dor

Onde estás?
Não te enxergo
Não te sinto
Não te toco
Chego até a perder o foco
E parece que me importo

Seja noite ou seja dia
Sinto uma eterna agonia
Finjo não estar tão mal
Para viver o essencial

Eu sei que tu existes
E que irei te achar
Nem que eu suba até as estrelas tristes
E de lá mergulhe no fundo do mar

Para te resgatar
Para fazer o sol brilhar
E enfim, para me encontrar..

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Para uma Princesa!


Frágil como ferro
Adaptou-se à solidão
Silencia com seu berro
Tentativas de invasão

Doce como limão
Fica salgada no verão
Com sua fria emoção
Transpira quente uma canção

Confusão

Calma como uma leoa
Às vezes erra, outras perdoa
Com seu ar de inocente
Metralha forte toda a gente

A bala a faz crescer
O prazer é violento
Mulher, sabe viver
Flutuando com o vento

Giz

Sozinha não, nem por um triz
Sua sina é ser feliz
A dúvida sempre te consome
Princesa, és o seu nome

Insaciável como o mar
Pensamentos ao luar
Encanto angelical
Esquecer-se é normal

Mal

Pétala machucada
Procurando o seu porquê
Flor pouco regada
Escondida em um buquê

Abatida pelo sol
Lida com o desafio
Com russo, grego ou espanhol
Um dia foge pelo rio

Sentimento

O Tempo é seu alimento
Quer ser feliz por um momento
Brilhando com sua torcida
Vislumbra a vida colorida

Aberta pro amor 
Inspira alguma alegria
Fechada em sua dor
Expira sua biografia

Ar

Morrendo pra se libertar
Não sabe em quem acreditar
A mágica com o não
Traz o Sim pro coração

Perdida em seu castelo
Com seu perfume tão singelo
Em tentativas de voar
No futuro há de encontrar

Paz

Sejas Bem-vinda
A noite está Linda
Aqui tudo se finda
Segure minha mão e brinda
 
Doloso é o seu beijo
Com um gostinho bom de queijo
Satisfez o meu desejo
Apaixonei-me pelo que vejo

Céu

Visualizo meu defeito
Sim, eu sei, não sou perfeito
Estrelas dizem para mim
Siga em frente, em latim

Bambeando pelo mato
Pareço, mas não sou um rato
Teu cheiro me encantou
Enfim você me encontrou

Querubim

Desculpe-me a demora
Cheguei para ficar
Agora é hora de ir embora
Viver e não mais sonhar

Esta é a realidade
A luz ofuscou o breu
Cantaremos a Felicidade
Prazer, eu sou o seu

Príncipe

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Um pouco de mim..


Autodescrição e autodefinição não me descrevem, tampouco me definem. Minha objetividade é muito limitada. Sou múltiplo. Multilateralidade é o que me move. O ser humano é inexprimível.  Rejeito verdades absolutas. Elas são inexistentes! Pondero e filtro tudo o que me é “imposto”. A informação moderna me espanta por sua liquidez, por sua pretensão e por sua superficialidade. Interesses.. O politicamente correto limita minha liberdade. Protocolos somente quando necessário.  Fujo da manipulação. A internet livre auxilia minha formação. Novas tecnologias são bem vindas. Meu senso crítico me permite selecionar o que leio, o que escuto, o que faço, pra onde vou e, visualizar o porquê de tudo. Sou um pouco cético em relação à vida. O bom humor é meu companheiro. Bem relacionado, sou insaciável por arte, embriago-me de espetáculos, exposições e shows. Gosto de produzir, porém a necessidade de êxito em curto prazo me bloqueia. O tempo é escasso. Vivo o Direito, passeio por linguagens; aprecio a interação humana, o mundo. Atuo em minha passagem, canto meus momentos. Experiência se constrói vivendo. Independente, sinto-me plenamente capaz de tomar decisões e encarar novos desafios. A música é o meu refúgio. Antenado e perceptivo, não pré-julgo. Respeito às diversidades, à medida que elas respeitem o meu espaço e minhas convicções. Creio no desconhecido. Extrovertido, fechado; brincalhão, sério; responsável, inocente; prestativo, preguiçoso; Adéquo-me às minhas escolhas; insiro-me nos contextos. A recíproca é falsa. Evito o contrário. Organização é fundamental e imprescindível para se viver. Bom senso e sensibilidade norteiam minhas ações. Monopolizador, prezo pela competência, entrega e inteligência. Admiro o culto. A mesma falha, jamais. Vulto. Pela noite, eu me encontro. O dia me cansa. O barulho normativo e estereotipado me enjoa. Particularidade me encanta. Não abro mão do conforto, apesar da desigualdade me desconfortar. Perco minha voz, minha ação não é suficiente. Pouco engajado, preocupo-me com meu país. Vivenciarei sua decadência, ou não. Posso fugir, ou não. Percebo a utopia. O passado está presente. O futuro não me desperta. Eu vivo hoje. Não quero metas, planos, análises. Quero resolução dos problemas. Quero menos discurso. Quero mais atitude, mais ousadia. Quero renovação, quero limpeza. Quero transparência, quero opções. Não quero o perfeito. Não quero mentiras, não quero roubo. Não quero demagogia, não quero hipocrisia, não quero farsa. Não quero esquemas, não quero passividade, não quero alienação. Atividade. Envolvimento. Cobrança. É o que falta. A acomodação é o mal da sociedade. Não por sua culpa. Se não possuo o que me é de direito, não cumprirei minhas obrigações. É minha visão. A literatura interpretativa é ausente na grande massa. Desrespeito. Descaso.  Não quero ver ninguém sofrendo. O justo é relativo. Tudo sempre depende do referencial. A oportunidade deve ser universal. A Dignidade também. A simplicidade também é sofisticação. O menos é mais. Embora o complexo me atice. Educação, cultura, lazer, saúde. A filosofia da vida é obscura. O mundo das idéias não vê a realidade como a saída da caverna. A disparidade choca. Falta base. Minha família me alicerça. Ela me construiu, me transferiu valores. Me fez constituir uma identidade. Sou número pra uns, ser humano pra outros. Falar na minha condição é fácil, outros, infelizmente, não conseguem ou não podem. Não me culpo. Não posso me culpar. E nem devo. O detalhe faz a diferença. A imaginação e a criatividade são a catarse de um monotonismo social. Amizade é tudo na vida. A solidão é perigosa, porém necessária. A reflexão é diária. A cada dia, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo. Poesia. Tudo muda. Temos de nos acostumar. Careço de uma ideologia. Minha psique busca a felicidade e concretização dos meus projetos e ambições. O resto é o resto... Esse não sou eu. Esta é minha face atual, pela qual eu me vi neste momento. Estou propenso à mudança, à metamorfose. Estou vulnerável ao meu subjetivismo, bastante presente nessa dissertação objetiva que me propus a fazer. Só sei que nada sei. A única certeza da vida é a morte.