É sentir a hora de sair do chão
É se questionar se vale a pena o avião
É escolher dizer sim ao não
É enfrentar o sonho, com emoção
É acordar sem tirar o roupão
É viver cada segundo com certa alienação
É desbravar horizontes só com uma mão
É decidir o que carece de decisão
É ir sem cinto para a arrebentação
É caminhar sem pressa pelo quarteirão
É ser você em qualquer multidão
É depois fazer a sua reflexão
É não ligar para o arranhão
É prescindir de qualquer aprovação
É gritar de euforia no balão
É se permitir correr como um tufão
É sempre achar que está com a razão
É errar e não pedir perdão
É ter cuidado para não se trair pela solidão
É descobrir os limites do coração
É achar paz ao lado de um tubarão
É ocupar o espaço sem dimensão
É rir e chorar, mesmo sem um tostão
É cantar a vida em um só refrão
É se autodescobrir sem seu irmão
É driblar os medos no verão
É curtir o tomorrow
com empolgação
É, no frio, sair, sem pena do colchão
É tomar um porre sem escutar lição
É beber um chopp na pressão
É desligar o celular a cada nova missão
É se conectar para contar a peregrinação
É acompanhar o som do gavião
É tocar pandeiro na estação
É sintetizar a felicidade em um cartão
É aguardar, pois os amigos o receberão
É não estar por cima da civilização
É não se confundir pela contradição
É ter adrenalina sem sair do chão
É ultrapassar as estrelas da constelação
É ser feliz sem explicação
É espremer a saudade em uma bola de sabão
É odiar o vento de outra direção
É amar saber que nada disso é ilusão.